Dia do Índio
Artesãs apostam na cultura indígena para divulgar o Mato Grosso do Sul
Peças encantam turistas de várias regiões do Brasil.
Bruno Navarros
Valorizar as etnias indígenas enraizadas na cultura sul-mato-grossense e divulgar o Estado nas demais regiões do Brasil. Foi com este ideal que duas artesãs diversificaram a confecção de peças, conquistaram espaço, reconhecimento e clientes.
“Quis criar um produto diferenciado”, afirma Beth Barros Vieira, que desde pequena já desenvolvia os primeiros passos artísticos através de pinturas. Há seis anos, decidiu trabalhar com a temática especial e um fato aumentou ainda mais sua motivação. “Descobri que minha bisavó era descendente direta e já fazia utilitários (panela, pote de água, travessa) em argila, característicos dos povos indígenas”, conta.
Hoje, as mandalas e objetos decorativos que trazem cores e elementos de várias etnias, junto com peças que retratam a fauna e a flora do Pantanal, são os principais artigos da artesã. Com empresa formalizada, participou de rodadas de negócios promovidas pelo Sebrae na região, já exportou para países como Itália e Japão, e recebeu recentemente menção honrosa de representantes do Estado.
Visão e sucesso
A admiração pelo trabalho de índias que comercializavam alimentos em cestas confeccionadas por elas mesmas inspirou Indiana Marques, que buscou referência em uma publicação de 2002 do Sebrae/MS, Elementos da Iconografia de Mato Grosso do Sul, para elaborar suas 'bugrinhas'. “Importantíssimo representar a cultura e a história do Estado”, destaca.
A partir daí, começou a trajetória da artesã – que trabalha profissionalmente há 25 anos – até o sucesso. “O Sebrae alavancou minha vida. Aprendi a formar preço, embalar o produto, negociar e até expor de maneira correta as peças em exposições”.
Vencedora de duas edições do Prêmio Top 100 de Artesanato, desenvolvido pela entidade de apoio às micro e pequenas empresas, Indiana buscou capacitações até se tornar uma empresária que exporta para quase todos os estados brasileiros. Com orgulho, ela garante que hoje as pessoas reconhecem as peças como um artesanato legítimo do Mato Grosso do Sul.
“Agora, de fato, para mim, ser artesã é uma profissão e não somente um hobby. É com isso que ganho meu sustento”, conclui.
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